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Justiça condena participante de Chacina de Malacacheta

 

Publicado - 29/02/2008 - 00:48

 

Dezoito anos depois da chacina de Malacacheta, na qual sete pessoas da família Cordeiro foram mortas a mando dos Leite, o quarto acusado da matança, o policial civil aposentado Ofenir Pinheiro Machado, de 63 anos, foi condenado a 45 anos de reclusão em regime fechado pelo 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte. O julgamento começou na quarta-feira à tarde e só terminou no início da madrugada desta quinta.

O julgamento foi transferido para Belo Horizonte a pedido da defesa, para evitar problemas com a influência das famílias da região. Como a decisão é de 1ª Instância, dela cabe recurso.

A denúncia, apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPE), pediu sua condenação pelos homicídios de José Augusto Andrade, Eunice Cordeiro Augusto de Andrade, Nacip Augusto Cordeiro de Praga, José Sexto Neto, Núbia Floripe de Andrade, Geraldo Augusto Cordeiro e José Augusto Cordeiro.

O MPE denunciou seis acusados pelas execuções. Além de Ofenir, três já foram julgados: Aldécio Leite, um dos mentores da matança, foi condenado a 133 anos de prisão; Alírio Leite também está atrás das grades; e José Leite foi absolvido.

Brutalidade

A macabra história ocorreu em fevereiro de 1990, mas teve início alguns meses antes. O capítulo decisivo para a chacina, porém, ocorreu em novembro de 1989, quando um homem de cada família discutiu no trânsito de Malacacheta. Devido à briga, os Leite contrataram o pistoleiro Alvino Alves Pereira para executar um dos Cordeiro, mas o homicida foi morto pela família rival antes de apertar o gatilho.

Ao saber disso, Hamilton Leite, amigo do pistoleiro, jurou vingança. “Na triste manhã, chegaram à casa (de um dos Cordeiro), em um Gol branco, seis elementos, dentre eles Ofenir Pinheiro Machado e Hamilton Leite, trajando, cinco deles, coletes pretos da Polícia Civil e se identificando como policiais de Belo Horizonte. (Disseram) que ali estavam para apurar a morte do pistoleiro”, informa a denúncia feita pelo MPE à época do crime. Em 2000, o promotor que trabalhava no caso acrescentou que os seis acusados levaram a vítima até a casa de um parente, onde se encontravam a empregada da família e outros sete Cordeiros.

A denúncia do MPE revela o desespero dos últimos minutos de vida das vítimas: “Quando ali, na casa de José Augusto de Andrade, todos já se faziam presentes, foi dado início ao ritual macabro, com a execução das indefesas vítimas, de forma cruel em diversos compartimentos do imóvel e (até) no quintal”. Apesar das sete mortes, três pessoas conseguiram fugir e relataram a matança ao promotor e a policiais. A empregada e a mulher de um dos Cordeiro, com a filha recém-nascida no colo, conseguiram sair da casa.

Depois dos tiros, os seis acusados fugiram. Um quinto suspeito, Fábio Elias dos Santos, que está preso há 15 anos, também seria julgado quarta-feira, mas o seu advogado, Marco Antônio Siqueira, pediu o desmembramento da sessão. “Se os dois fossem julgados hoje (quarta), seriam quatro horas para ambas as defesas. Separados, o tempo de plenário na defesa dos interesses dos réus é maior”, justificou.

 

Fonte: Estado de Minas

 

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